10:30h - Saída de Lagos
11:40h - Chegada a Portimão
14:00h - Passeio pela cidade
Total: 27km em 2:00h
- Marginal de Portimão
RELATO PESSOAL
Dia calmo de pedaladas. 22 km separam Lagos de Portimão, ainda para mais pedalados em dia feriado, e a anteceder um merecido dia de descanso.
Portimão é um cidade do barlavento algarvio, que há semelhança de outras, teve um desenvolvimento anti-urbanístico. Torres com 15 e mais andares descaracterizam esta cidade costeira, um centro histórico com demasiados edifícios abandonados e degradados, e um sistema viário que, em regra, promove o excesso de velocidade de veículos automóveis, e deixam o peão e o ciclista em segundo plano.
- Sinalização de informação, com uma cor vanguardista: cor-de-rosa
- Sinal vanguardista de indicação de parque automóvel
- Suposta ciclovia, amarela
- Suposta ciclovia, azul
O conceito de cidade ciclável nada tem a ver com o roubar espaço aos peões, mas acima de tudo, de partilha da estrada com os automóveis. No exemplo em cima, praticamente anulou-se o passeio para, com gastos elevados, criar uma ciclovia. Note-se como o arruamento tem largura suficicente para, com sinalização horizontal (pintura) no pavimento, criar um corredor para bicicletas, na berma da estrada.
- Ciclovia em passeio largo
Neste exemplo, graças à largura do passeio, fará sentido a partilha do espaço entre peões e bicicletas, sem prejuízo de espaço para os primeiros. Aqui, uma ciclovia de cor acinzentada.
- Exemplo (bom) de passeio rebaixado em zona de passagem de peões. No lado oposto, a vedação de uma obra anula o passeio.
- Arruamento urbano (50 km/h) com características de via rápida (80 km/h)
É necessário promover nos condutores, em centros urbanos, a sensação de que se deve circular a baixa velocidade. Para isso, deve intervir-se ao nível da geometria das vias e adequá-las à velocidade pretendida. Não se pode construir vias com características de via rápida nos centros urbanos, e querer que os condutores circulem a velocidade reduzida. É a geometria das vias que deve incutir os condutores a adequar a velocidade, e não apenas a sinalização vertical.
- Entrada numa rotunda.
As rotundas têm vários objectivos: fluidez de tráfego, auto-gestão do mesmo (sem necessidade de semáforos), redução de acidentes e sua gravidade e redução da velocidade dos automóveis. Para que esta última seja alcançada, as entradas nas rotundas devem a todo o custo forçar os condutores a reduzir a velocidade. Isso consegue-se através da criação de curvas de entrada de raio reduzido. No exemplo em cima, a entrada na rotunda faz-se em recta. Isso estimula velocidades elevadas e consequente aumento da probabilidade de acidente e suas consequências. É comum nestas situações, existirem condutores que nem se aprecebem que estão a entrar numa rotunda, criando situações de potencial acidente.
- Utilizador de bicicleta em arruamento urbano com características de via rápida.
Um das vantagens da inserção da bicicleta e criação de corredores cicláveis em meio urbano é o facto de, muitas vezes, isso obrigar à redução da largura de algumas vias, nomeadamente as vias mais à esquerda, estimulando uma efectiva acalmia na velocidade do tráfego. Neste arruamento, existe largura suficiente para o corredor de bicicletas, com a redução da largura das vias, e consequente redução da velocidade dos automóveis.
- Utilizadores de bicicleta num arruamento de Portimão, mesmo sem rede ciclável.
- Exemplo interessante, na existência de espaço que o permita, da segregação entre peões e automóveis.
- Sinalização sobre a acessibilidade à praia, de pessoas de mobilidade reduzida
- Passadeira e passeio nas imediações do sinal anterior
CIDADE CICLÁVEL:
Inclinações e altitudes: cidade costeira, em grande parte plana, com algumas inclinações muito suaves.Arruamentos: pavimentados com paralelos ou betuminoso no centro histórico. Betuminoso nos arruamentos fora do centro e vias bastante largas.
Rotundas: quanto baste, mas que promovem velocidades excessivas na sua aproximação.
Medidas de acalmia de tráfego: muito poucas, mesmo no centro histórico
Corredores para bicicletas: Alguns, coloridos, mas desenquadrados de uma rede ciclável, e roubando espaço ao peão.
Estacionamento de bicicletas: praticamente inexistentes
SENTIMENTOS, EMOÇÕES, PENSAMENTOS E OUTRAS CAROLICES
Portimão revelou-se um cidade que, aparentemente, não tem uma política definida de mobilidade, redução e acalmia de tráfego. As vias promovem o excesso de velocidade, muitas vezes o peão é esquecido, e quase sempre os cidadãos de mobilidade reduzida são pura e simplesmente desprezados.
- Aqui, foi complicado atravessar com a bicicleta. Em cadeira de rodas, seria praticamente impossível
Nesta cidade encontrei ciclovias que roubam os passeios aos peões, e de várias cores. Avistei sinais cor-de-rosa, passeios ocupados quase na totalidade da sua largura com palmeiras e até passadeiras cortadas ao meio por lancis com espelho de 20 cm de altura.
Portimão é uma cidade que tem muito que evoluir em matérias de mobilidade e qualidade de vida para quem quer usufruir de todo o espaço da cidade, e não apenas passar por ele a grande velocidade.
CURIOSIDADE DO DIA
- Arquitectura e construção típicos de Portimão
HIPERLIGAÇÃO DO DIA
De bicicleta no Porto
DADOS TÉCNICOS para cálculo de emissões de CO2
Salas, sacos e alforges: 6, com um total de 20kg
Inclinação: Suave (N125) de tarde
Consumo de líquidos: 1/2 litro de água
Consumo de sólidos: 4 bolachas de cereais,
Outros modos de transporte utilizados: nenhum
Duches: 1, de aprox.10 minutos
Refeições: Almoço: Bife de Espadarte
Jantar, Bife de Atum
Peças de roupa lavada: 1 calções de ciclismo, 1 par de meias
Horas de utilização de computador: 3:00h
Visualizações do blogue: 500
Novos amigos no Facebook: 50
Carregamento de telemóvel e lanterna: Mala Solar com painéis fotovoltáicos
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS:
MOTOVEDRAS, pelo excelente equipamento que me cedeu.
DIMODA, pelos fatos que me cedeu.
OFF7, pelo cálculo e compensação de emissões de CO2.
Bio Future House, pelas malas com painés foto-voltáicos que me carregam o telemóve e a lanterna.
Instituto Geográfico do Exército, pela oferta dos mapas de estradas que me orientam.
Ao Luís Cabrita, pelo esforço em me arranjar estadia em Portimão
À Carolina, minha mãe, por todos os dias acender uma vela de azeite a Nossa Senhora de Fátima.
Paulo Guerra dos Santos
557 km percorridos de bici em Portugal, desde 22.05.2010















